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  • Setor de lácteos pede ao governo cota para importação de leite uruguaio

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    30.8.2017

    Indústrias também reivindicam a realização de compras governamentais para equilibrar a oferta e a demanda no mercado interno e garantir um aumento dos preços para a cadeia produtiva

    Esteio (RS) - A cadeia produtiva do setor de lácteos reivindicou ao governo federal a negociação de cotas para limitar a entrada de leite em pó do Uruguai no mercado brasileiro.

    A intenção é evitar uma concorrência desleal com o produto brasileiro, que é mais caro que o importados, explicaram, ontem, dirigentes do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), durante a 40º edição da Exposição Internacional de Animais, Máquinas e Implementos e Produtos Agropecuários (Expointer), em Esteio (RS).

    "Não somos contra a entrada do produto uruguaio no Brasil, somos um País que precisa da importação, mas a questão é como esse produto ingressa no País", declara o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra.

    A intenção do Sindilat é que seja negociada uma cota assim como a que já está em vigor com a Argentina, que pode enviar até 5 mil toneladas para o Brasil por mês.

    O limite a ser estabelecido ainda está sendo calculado, mas deve representar a média da quantidade de produto que ingressou no Brasil vindo do Uruguai nos últimos três anos, mesmo sistema utilizado para definir a cota argentina.

    De acordo com o diretor-executivo da entidade, Darlan Palharini, a falta de uma negociação com o Uruguai também pode afetar os negócios com a Argentina. "Caso o Brasil não estabeleça uma cota com o Uruguai, a Argentina vai querer voltar a embarcar o produto livremente para o Brasil", alerta.

    Segundo eles, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, já se comprometeu a avaliar a demanda e manifestou a intenção de tirar o produto da lista da tarifa externa comum (TEC), o que faria com que o produto fosse taxado em 28%.

    Entre janeiro e julho, foram importadas 17,9 mil toneladas do produto uruguaio, uma queda de 40,6% sobre igual intervalo do ano passado, "Apesar da redução da importação, o produto entrou mais competitivo no mercado do que o brasileiro", justifica Guerra. Enquanto o quilo do leite em pó brasileiro custa, em média, R$ 14, o do produto uruguaio é adquirido por R$ 10,50.

    De janeiro a julho, as importações brasileiras totais de leite em pó somaram 56,6 mil toneladas de leite em pó, queda de 20% em relação ao mesmo período do ano passado.

    Palharini explica que boa parte do produto uruguaio chega ao Brasil via a cooperativa uruguaia Conaprole, que tem como foco o centro do País. "A minoria das indústrias importa o leite em pó uruguaio, ainda assim, temos que defender o interesse do setor como um todo", argumenta.

    Outro fator que preocupa os produtores é o descompasso entre a produção brasileira, que cresceu 4% de janeiro a julho sobre um ano antes, e o consumo, que recuou 4,5% no País, gerando um excedente de produto no mercado.

    Compras governamentais

    O setor também reivindicou a realização de compras governamentais para 50 mil toneladas de leite em pó brasileiro, sendo 20 mil toneladas apenas no Rio Grande do Sul. O Estado é o segundo maior produtor de leite, atrás de Minas Gerais.

    Para isso, entretanto, a cadeia produtiv a pede que o governo reajuste o valor pago pelo produto no mercado interno, de R$ 11,80 por quilo para R$ 14. "Isso é fundamental para termos a mesma condição de competitividade", avalia Guerra.

    "Sem esse reajuste, o valor representaria um preço ao produtor de R$ 0,80 por litro, o que é inviável", diz Palharini.

    Guerra reconhece que para ser mais competitivo, o Brasil ainda precisa produzir mais para que possa se tornar um exportador e não importador do produto. A média de produção brasileira é de 20 mil litros a 30 mil litros por propriedade por ano. No Rio Grande do Sul, a média é de 50 mil litros por ano. Já no Uruguai, a produção média por propriedade é de 500 mil litros por ano.

    "Temos esse descompasso e precisamos fazer a lição de casa. A questão não vai se resolver sem que façamos a nossa parte", observa o presidente do Sindilat. /* A repórter viajou a convite de Biogénesis Bagó

    Marcela Caetano

    Fonte Internet: GS Notícias, 30/08/17