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  • Rússia confirma embargo a quatro frigoríficos de carne suína

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    21.11.2017

    Por Luiz Henrique Mendes e Cristiano Zaia | De São Paulo e Brasília

    A Rússia confirmou a ameaça que fez na semana passada e embargou oficialmente quatro frigoríficos brasileiros de carne suína com o argumento de que identificou o promotor de crescimento ractopamina em cargas importadas do país. De acordo com informações disponíveis no site do serviço sanitário russo (Rosselkhoznadzor), o embargo terá início no dia 4 de dezembro.

    A proibição afeta três unidades da Seara, divisão da JBS, e uma da BRF. As da JBS estão localizadas nos municípios de Seara (SC), Itapiranga (SC) e Frederico Westphalen (RS). O da BRF fica em Campos Novos (SC). A ractopamina é proibida na Rússia, mas permitida em outros mercados. No Brasil, pode ser usada na produção de suínos, mas é proibida na de gado bovino.

    Procurada ontem, a JBS manteve o mesmo posicionamento que divulgou na semana passada, quando o embargo de Moscou ainda estava no terreno das ameaças. "A companhia confirma que até o momento não tem qualquer informação proveniente do mercado da Rússia referente ao cumprimento dos requisitos legais em vigor para exportação a este mercado. A Seara reforça seu compromisso com a qualidade e os controles rigorosos de seus processos e produtos".

    A BRF também não havia sido notificada, enquanto o Ministério da Agricultura do Brasil tratou o embargo como um caso isolado. O veto russo prejudica especialmente a Seara. Com três frigoríficos embargados, a empresa ficou com apenas um abatedouro autorizado a exportar carne suína para a Rússia. A BRF ainda conta com três unidades autorizadas, sendo que uma delas está sob controle reforçado.

    Atualmente, 14 frigoríficos de carne suína do Brasil estão autorizados pelo Rosselkhoznadzor a exportar ao mercado russo. O mercado russo absorve cerca de 40% das exportações brasileiras de carne suína. Como as cotas dos importadores russos para 2017 já estão quase esgotadas, a medida não deverá ter consequências concretas graves para o Brasil, desde que durem pouco.

    O embargo foi confirmado em um momento de pressão de Moscou pela abertura do mercado brasileiro para o trigo, a carne bovina e os pescados russos. A abertura foi recentemente prometida pelo ministro Blairo Maggi, mas ainda não ocorreu.

    Fonte Internet: Valor Econômico, 21/11/17